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Cronograma físico-financeiro
O que é cronograma físico-financeiro?
O cronograma físico-financeiro é uma ferramenta de planejamento que relaciona a execução física dos serviços de uma obra com os respectivos valores financeiros ao longo do tempo.
Ele combina duas informações importantes do planejamento:
- aspecto físico: quanto dos serviços está previsto para ser executado em cada período;
- aspecto financeiro: quanto dos custos ou valores da obra está associado a cada período.
Essa integração permite acompanhar não apenas o avanço da obra, mas também como os custos e desembolsos estão distribuídos durante a execução.
Qual é a importância do cronograma físico-financeiro?
Uma obra pode estar avançando fisicamente sem que os gastos estejam ocorrendo exatamente conforme o planejamento financeiro. Da mesma forma, podem ocorrer desembolsos significativos antes de um avanço físico equivalente.
O cronograma físico-financeiro permite visualizar essa relação e estabelecer uma referência para o acompanhamento da execução.
Entre suas principais funções estão:
- distribuir os serviços ao longo do tempo;
- distribuir os custos ou valores previstos entre os períodos;
- estabelecer o avanço físico planejado;
- estabelecer o desembolso financeiro previsto;
- acompanhar o avanço físico e financeiro;
- identificar desvios entre planejamento e execução;
- auxiliar no planejamento do fluxo de caixa;
- apoiar o acompanhamento de contratos e pagamentos.
Cronograma físico, financeiro e físico-financeiro
Os três conceitos estão relacionados, mas representam informações diferentes.
O cronograma físico mostra a distribuição dos serviços ou do avanço físico ao longo do tempo.
O cronograma financeiro mostra a distribuição dos custos, despesas, desembolsos ou valores previstos ao longo do tempo.
O cronograma físico-financeiro combina essas duas perspectivas.
| Ferramenta | Principal informação |
|---|---|
| Cronograma físico | Serviços e avanço físico ao longo do tempo |
| Cronograma financeiro | Custos ou valores previstos ao longo do tempo |
| Cronograma físico-financeiro | Relação entre avanço físico e valores financeiros |
Como elaborar um cronograma físico-financeiro?
A elaboração normalmente parte do orçamento de obra e do cronograma físico.
Um procedimento básico pode seguir estas etapas:
- identificar os serviços que compõem a obra;
- levantar os respectivos quantitativos;
- determinar os custos ou preços dos serviços;
- definir a sequência de execução;
- estimar a duração das atividades;
- distribuir os serviços entre os períodos;
- determinar o avanço físico de cada período;
- distribuir os valores financeiros correspondentes;
- calcular os valores e percentuais acumulados;
- acompanhar o planejado e o realizado durante a execução.
Exemplo de cronograma físico-financeiro
Considere uma obra com valor total previsto de R$ 1.000.000,00, distribuído entre quatro meses de execução.
| Período | Avanço físico previsto | Avanço físico acumulado | Valor previsto | Valor acumulado |
|---|---|---|---|---|
| Mês 1 | 15% | 15% | R$ 150.000,00 | R$ 150.000,00 |
| Mês 2 | 25% | 40% | R$ 250.000,00 | R$ 400.000,00 |
| Mês 3 | 30% | 70% | R$ 300.000,00 | R$ 700.000,00 |
| Mês 4 | 30% | 100% | R$ 300.000,00 | R$ 1.000.000,00 |
Nesse exemplo, o planejamento prevê que 15% do valor físico e financeiro seja realizado no primeiro mês, 25% no segundo, 30% no terceiro e 30% no quarto.
A soma dos percentuais resulta em 100% e a soma dos valores corresponde ao valor total previsto da obra.
Exemplo detalhado por serviço
O cronograma também pode ser detalhado por etapa ou serviço.
Considere uma obra com três serviços principais:
| Serviço | Valor total | Mês 1 | Mês 2 | Mês 3 | Total |
|---|---|---|---|---|---|
| Fundação | R$ 200.000,00 | R$ 150.000,00 | R$ 50.000,00 | — | R$ 200.000,00 |
| Estrutura | R$ 400.000,00 | R$ 50.000,00 | R$ 200.000,00 | R$ 150.000,00 | R$ 400.000,00 |
| Acabamentos | R$ 400.000,00 | — | R$ 100.000,00 | R$ 300.000,00 | R$ 400.000,00 |
| Total | R$ 1.000.000,00 | R$ 200.000,00 | R$ 350.000,00 | R$ 450.000,00 | R$ 1.000.000,00 |
Esse formato permite identificar quais etapas concentram os maiores desembolsos em cada período.
Percentual físico e percentual financeiro
O percentual físico representa o avanço dos serviços, enquanto o percentual financeiro representa a parcela do valor total associada ao período.
Esses percentuais podem ser diferentes.
Por exemplo, uma atividade pode representar apenas 10% do avanço físico da obra, mas possuir um custo elevado e representar 20% do valor financeiro previsto para determinado período.
Por isso, não é correto assumir automaticamente que:
percentual físico = percentual financeiro.
A relação depende da composição dos serviços, seus quantitativos, custos e da forma como a execução foi planejada.
Fórmulas de cálculo do cronograma físico-financeiro
Os principais cálculos de um cronograma físico-financeiro envolvem a determinação do percentual físico, do percentual financeiro e dos respectivos valores acumulados.
Percentual físico de um período
Quando o acompanhamento é feito com base nas quantidades dos serviços, o percentual físico de determinado período pode ser calculado pela relação entre a quantidade executada no período e a quantidade total prevista para o serviço:
Percentual físico do período (%) = quantidade executada no período ÷ quantidade total prevista × 100
Por exemplo, se estão previstos 2.000 m² de revestimento e o cronograma estabelece a execução de 500 m² em determinado mês:
500 ÷ 2.000 × 100 = 25%
Portanto, o período representa 25% da execução física prevista para esse serviço.
Percentual físico acumulado
O percentual físico acumulado representa a soma dos percentuais executados nos períodos anteriores.
Também pode ser calculado diretamente pela relação entre a quantidade acumulada e a quantidade total:
Percentual físico acumulado (%) = quantidade acumulada executada ÷ quantidade total prevista × 100
Se, no exemplo anterior, já foram executados 1.200 m² dos 2.000 m² previstos:
1.200 ÷ 2.000 × 100 = 60%
O avanço físico acumulado do serviço é, portanto, de 60%.
Valor financeiro do período
Quando a distribuição financeira é feita diretamente a partir dos serviços e seus preços unitários, o valor previsto para um período pode ser calculado pela quantidade programada multiplicada pelo preço unitário:
Valor do período = quantidade prevista no período × preço unitário
Por exemplo, considerando 500 m² de revestimento a R$ 100,00 por metro quadrado:
500 × R$ 100,00 = R$ 50.000,00
O valor financeiro previsto para esse serviço no período será de R$ 50.000,00.
Percentual financeiro do período
O percentual financeiro indica qual parcela do valor total da obra está prevista para determinado período.
A fórmula é:
Percentual financeiro do período (%) = valor previsto no período ÷ valor total da obra × 100
Se uma obra possui valor total de R$ 1.000.000,00 e estão previstos R$ 150.000,00 para determinado mês:
150.000 ÷ 1.000.000 × 100 = 15%
Esse período representa 15% do valor financeiro total previsto para a obra.
Percentual financeiro acumulado
O percentual financeiro acumulado pode ser calculado pela relação entre o valor acumulado até determinado período e o valor total da obra:
Percentual financeiro acumulado (%) = valor acumulado previsto ÷ valor total da obra × 100
Se o valor acumulado até determinado mês for R$ 400.000,00 em uma obra de R$ 1.000.000,00:
400.000 ÷ 1.000.000 × 100 = 40%
O percentual financeiro acumulado será de 40%.
Avanço financeiro realizado
Durante a execução, também é possível calcular o percentual financeiro efetivamente realizado:
Percentual financeiro realizado (%) = valor financeiro realizado acumulado ÷ valor total previsto × 100
Por exemplo, se já foram contabilizados R$ 380.000,00 em uma obra cujo valor total previsto é de R$ 1.000.000,00:
380.000 ÷ 1.000.000 × 100 = 38%
Nesse caso, o percentual financeiro realizado acumulado é de 38%.
Diferença entre previsto e realizado
Uma das aplicações mais importantes do cronograma físico-financeiro é comparar o percentual previsto com o percentual efetivamente realizado.
Para expressar a diferença em pontos percentuais, utiliza-se:
Desvio (p.p.) = percentual realizado − percentual previsto
Por exemplo, se o avanço físico previsto acumulado é de 40% e o avanço realizado acumulado é de 36%:
36% − 40% = −4 pontos percentuais
O resultado indica que a obra está 4 pontos percentuais abaixo do planejado.
Também é possível calcular o desvio relativo em relação ao previsto. Nesse caso:
Desvio relativo (%) = (percentual realizado − percentual previsto) ÷ percentual previsto × 100
Utilizando o mesmo exemplo:
(36% − 40%) ÷ 40% × 100 = −10%
Isso significa que o avanço realizado está 10% abaixo do avanço previsto para aquele momento.
| Indicador | Previsto | Realizado | Resultado |
|---|---|---|---|
| Avanço acumulado | 40% | 36% | −4 p.p. |
| Desvio relativo | 40% | 36% | −10% |
É importante não confundir os dois indicadores. −4 pontos percentuais representa a diferença direta entre os dois percentuais, enquanto −10% representa essa diferença em relação ao valor que havia sido planejado.
Para o acompanhamento de obras, os pontos percentuais costumam ser mais fáceis de interpretar quando se deseja simplesmente identificar quanto a execução está acima ou abaixo do planejamento.
Exemplo completo de cálculo
Considere uma obra com valor total de R$ 1.000.000,00 e o seguinte planejamento:
| Período | Valor previsto | Financeiro previsto | Valor acumulado | Financeiro acumulado |
|---|---|---|---|---|
| Mês 1 | R$ 150.000,00 | 15% | R$ 150.000,00 | 15% |
| Mês 2 | R$ 250.000,00 | 25% | R$ 400.000,00 | 40% |
| Mês 3 | R$ 300.000,00 | 30% | R$ 700.000,00 | 70% |
| Mês 4 | R$ 300.000,00 | 30% | R$ 1.000.000,00 | 100% |
No segundo mês, por exemplo:
Percentual financeiro = R$ 250.000 ÷ R$ 1.000.000 × 100 = 25%
O acumulado até esse período será:
R$ 150.000 + R$ 250.000 = R$ 400.000
E o percentual financeiro acumulado:
R$ 400.000 ÷ R$ 1.000.000 × 100 = 40%
Esses cálculos permitem transformar a programação dos serviços e seus valores em indicadores objetivos para o acompanhamento da obra.
Como calcular o avanço físico-financeiro global?
Quando diferentes serviços possuem valores distintos, o avanço físico global da obra não deve ser calculado simplesmente pela média dos percentuais de cada serviço.
O mais adequado é utilizar um critério de ponderação, normalmente relacionado ao valor dos serviços.
Uma forma simplificada é:
Avanço físico global (%) = soma dos valores dos serviços executados ÷ valor total considerado × 100
Por exemplo, suponha uma obra com três serviços:
| Serviço | Valor total | Percentual executado | Valor correspondente |
|---|---|---|---|
| Fundação | R$ 200.000,00 | 100% | R$ 200.000,00 |
| Estrutura | R$ 500.000,00 | 50% | R$ 250.000,00 |
| Acabamentos | R$ 300.000,00 | 20% | R$ 60.000,00 |
| Total | R$ 1.000.000,00 | — | R$ 510.000,00 |
O avanço global ponderado será:
R$ 510.000 ÷ R$ 1.000.000 × 100 = 51%
Assim, embora os percentuais individuais dos serviços sejam diferentes, o avanço global ponderado da obra é de 51%.
Esse método deve ser aplicado de acordo com o critério adotado para o controle da obra e com a estrutura do orçamento, evitando atribuir pesos inadequados aos diferentes serviços.
Cronograma físico-financeiro e orçamento
O orçamento fornece os valores necessários para elaborar a parcela financeira do cronograma.
Em um orçamento detalhado, cada serviço possui uma quantidade e um preço ou custo unitário. O valor total de cada serviço pode então ser distribuído entre os períodos de acordo com a programação de execução.
Por exemplo, se um serviço possui:
- quantidade: 1.000 m²;
- preço unitário: R$ 100,00/m²;
- valor total: R$ 100.000,00.
Se o cronograma prevê a execução de 300 m² no primeiro período, o valor correspondente será de:
300 × R$ 100,00 = R$ 30.000,00
Assim, 30% do serviço estará programado para aquele período, correspondendo a 30% do seu valor, caso o preço unitário permaneça constante.
Cronograma físico-financeiro e BDI
Quando o cronograma é elaborado com base nos valores de venda da obra, o tratamento do BDI deve ser definido de forma consistente com o orçamento.
Se o orçamento apresenta custos diretos e posteriormente aplica o BDI para formar o preço de venda, é necessário estabelecer se o cronograma financeiro será acompanhado com base no custo, no preço de venda ou em outro critério contratual.
O importante é evitar misturar bases diferentes durante o acompanhamento.
Cronograma físico-financeiro e fluxo de caixa
O cronograma físico-financeiro pode servir como uma importante referência para o planejamento do fluxo de caixa da obra.
A distribuição dos valores ao longo dos períodos permite estimar quando determinados desembolsos poderão ocorrer.
Entretanto, o valor previsto no cronograma não representa necessariamente o fluxo de caixa real.
Datas de pagamento, condições de fornecedores, retenções, medições, faturamento e outros fatores podem fazer com que o desembolso efetivo ocorra em datas diferentes das previstas para a execução física.
Acompanhamento do planejado e realizado
Durante a execução, os dados realizados devem ser comparados com o planejamento.
| Período | Físico previsto acumulado | Físico realizado acumulado | Financeiro previsto acumulado | Financeiro realizado acumulado |
|---|---|---|---|---|
| Mês 1 | 15% | 13% | R$ 150.000,00 | R$ 145.000,00 |
| Mês 2 | 40% | 36% | R$ 400.000,00 | R$ 380.000,00 |
| Mês 3 | 70% | 68% | R$ 700.000,00 | R$ 690.000,00 |
| Mês 4 | 100% | — | R$ 1.000.000,00 | — |
Essa comparação permite identificar diferenças entre o planejamento e a execução e avaliar se os desvios são pontuais ou indicam uma tendência que exige intervenção.
Cronograma físico-financeiro em contratos por medição
Em contratos nos quais os pagamentos estão relacionados às medições dos serviços executados, o cronograma físico-financeiro pode ser utilizado como referência para acompanhar a evolução prevista do contrato.
A medição de obra registra o que efetivamente foi executado em determinado período. Esses dados podem ser comparados ao cronograma para verificar o cumprimento da programação.
Os critérios efetivos de medição e pagamento, entretanto, devem sempre seguir as condições estabelecidas no contrato.
Cronograma físico-financeiro e replanejamento
O cronograma inicial representa uma previsão. Durante a execução, mudanças podem exigir sua atualização.
Entre os fatores que podem provocar alterações estão:
- atrasos no fornecimento de materiais;
- alterações de projeto;
- mudanças de produtividade;
- problemas com equipes;
- condições climáticas;
- alterações no escopo;
- restrições financeiras;
- interferências entre serviços.
Quando essas alterações impactam significativamente a programação, pode ser necessário realizar um replanejamento.
É recomendável preservar o planejamento original para permitir posteriormente a comparação entre o cronograma inicial e o cronograma atualizado.
Erros comuns
Alguns erros podem comprometer a utilidade do cronograma físico-financeiro:
- distribuir valores sem considerar a programação física;
- considerar que avanço físico e financeiro sempre serão iguais;
- não utilizar os valores do orçamento como base;
- misturar custo e preço de venda sem deixar clara a base utilizada;
- ignorar o momento real dos desembolsos;
- não atualizar o cronograma durante a execução;
- não registrar as alterações do planejamento original;
- criar uma distribuição financeira incompatível com a execução dos serviços.
Como fazer um bom cronograma físico-financeiro?
Um bom cronograma físico-financeiro deve ser coerente com o orçamento e com o planejamento da execução.
É recomendável:
- utilizar um orçamento consistente e atualizado;
- organizar os serviços por etapas;
- definir os quantitativos de cada serviço;
- estabelecer as durações e dependências;
- distribuir os serviços nos períodos;
- calcular os percentuais físicos;
- distribuir os respectivos valores financeiros;
- conferir se os totais físicos e financeiros fecham com o orçamento;
- acompanhar o realizado;
- registrar e analisar os desvios;
- atualizar o planejamento quando necessário.
Conclusão
O cronograma físico-financeiro integra o planejamento da execução com a distribuição dos valores da obra ao longo do tempo. Ele permite visualizar quando os serviços serão executados e quais valores estão associados a cada período.
Quando relacionado ao orçamento, à medição e ao acompanhamento da execução, torna-se uma ferramenta importante para controlar prazos, avanço físico e desempenho financeiro.
Um cronograma bem elaborado não deve ser apenas um documento criado no início da obra. Ele deve ser utilizado continuamente para comparar o planejado com o realizado, identificar desvios e apoiar as decisões de gerenciamento e replanejamento.