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Memória de cálculo
O que é memória de cálculo?
A memória de cálculo é o registro dos procedimentos utilizados para chegar aos quantitativos e, quando aplicável, aos valores apresentados em um orçamento de obra. Ela demonstra de onde vieram os números utilizados na elaboração do orçamento, permitindo que os cálculos sejam conferidos e reproduzidos.
Em uma obra, a memória de cálculo pode registrar desde uma simples área obtida a partir das dimensões de um ambiente até cálculos mais detalhados envolvendo volumes, comprimentos, pesos, quantidades de elementos construtivos e outros serviços.
Seu principal objetivo é proporcionar transparência, rastreabilidade e facilidade de conferência aos quantitativos utilizados na planilha orçamentária.
Qual é a importância da memória de cálculo?
Um orçamento depende diretamente dos quantitativos utilizados. Se uma quantidade estiver incorreta, o custo calculado para o serviço também poderá estar incorreto.
A memória de cálculo permite identificar como cada quantitativo foi obtido, facilitando a revisão do orçamento e a identificação de eventuais erros de medição ou interpretação dos projetos.
Entre suas principais funções estão:
- demonstrar a origem dos quantitativos;
- facilitar a conferência dos cálculos;
- permitir a identificação de erros ou omissões;
- documentar os critérios utilizados no levantamento;
- facilitar futuras revisões do orçamento;
- melhorar a rastreabilidade dos serviços orçados;
- auxiliar na elaboração e conferência de medições;
- facilitar a atualização do orçamento quando houver alterações no projeto.
Memória de cálculo e quantitativo de obra
A memória de cálculo está diretamente relacionada ao quantitativo de obra, mas os dois conceitos não são exatamente a mesma coisa.
O quantitativo representa a quantidade encontrada para determinado serviço. A memória de cálculo registra como essa quantidade foi obtida.
Por exemplo, se o orçamento apresenta 120 m² de revestimento de parede, a memória de cálculo pode demonstrar quais paredes foram consideradas, suas dimensões e quais aberturas foram descontadas.
| Elemento | Dimensões | Quantidade |
|---|---|---|
| Parede 1 | 10,00 × 3,00 m | 30,00 m² |
| Parede 2 | 8,00 × 3,00 m | 24,00 m² |
| Porta | 0,80 × 2,10 m | -1,68 m² |
| Total | 52,32 m² |
Nesse exemplo, 52,32 m² é o quantitativo resultante. Os cálculos que demonstram como esse valor foi obtido fazem parte da memória de cálculo.
O que deve constar em uma memória de cálculo?
Não existe um único formato que deva ser utilizado em todos os tipos de orçamento. A estrutura pode variar de acordo com a complexidade da obra e com o nível de detalhamento necessário.
De forma geral, uma memória de cálculo pode apresentar:
- identificação do serviço;
- referência ao projeto ou documento utilizado;
- local ou elemento considerado;
- dimensões utilizadas;
- fórmula de cálculo;
- quantidade calculada;
- unidade de medida;
- descontos ou acréscimos considerados;
- observações e critérios adotados.
Quanto mais complexo for o serviço, mais importante é registrar claramente os critérios utilizados para chegar ao resultado.
Exemplo de memória de cálculo
Considere o cálculo da área de revestimento de uma parede com 12,00 m de comprimento e 3,00 m de altura.
A área bruta será:
Área = comprimento × altura
Área = 12,00 × 3,00 = 36,00 m²
Suponha que exista uma porta com 0,80 m de largura e 2,10 m de altura. A área da abertura será:
Área da porta = 0,80 × 2,10 = 1,68 m²
Assim, o quantitativo líquido de revestimento será:
36,00 − 1,68 = 34,32 m²
A memória de cálculo registra justamente essa sequência, permitindo que outra pessoa consiga verificar o resultado sem precisar refazer a medição diretamente no projeto.
Memória de cálculo por serviço
Uma forma prática de organizar a memória de cálculo é separá-la por serviço ou grupo de serviços.
Por exemplo, em uma residência podem ser criados cálculos para:
- escavação;
- concreto;
- formas;
- armaduras;
- alvenaria;
- revestimentos;
- pisos;
- pintura;
- cobertura;
- instalações elétricas;
- instalações hidráulicas.
Essa organização facilita a conferência e permite relacionar cada cálculo ao respectivo item da planilha orçamentária.
Memória de cálculo de materiais
A memória de cálculo também pode ser utilizada para determinar as quantidades de materiais necessários para um serviço.
Por exemplo, a quantidade de concreto pode ser calculada a partir das dimensões dos elementos estruturais:
Volume = comprimento × largura × altura
Uma viga com 5,00 m de comprimento, 0,20 m de largura e 0,40 m de altura teria:
5,00 × 0,20 × 0,40 = 0,40 m³
Esse valor poderá ser utilizado como quantitativo do serviço de concreto, conforme os critérios adotados no orçamento.
É importante distinguir esse cálculo do coeficiente de consumo de uma composição. O quantitativo informa quanto serviço será executado na obra, enquanto o coeficiente informa quanto de determinado insumo é necessário para produzir uma unidade desse serviço.
Memória de cálculo e composição de custos
A memória de cálculo está relacionada ao quantitativo do serviço, enquanto a composição de custos detalha os recursos necessários para executar uma unidade desse serviço.
Por exemplo, suponha que o levantamento indique 500 m² de alvenaria.
A memória de cálculo demonstra como os 500 m² foram obtidos a partir dos projetos.
A composição de custos, por sua vez, determina os materiais, a mão de obra e eventualmente os equipamentos necessários para executar 1 m² de alvenaria.
Assim, os dois elementos cumprem funções diferentes, mas complementares:
| Elemento | Função |
|---|---|
| Memória de cálculo | Demonstra como o quantitativo do serviço foi obtido. |
| Composição de custos | Demonstra quais recursos são necessários para executar uma unidade do serviço. |
| Planilha orçamentária | Consolida quantitativos, preços e valores dos serviços. |
Memória de cálculo e SINAPI
Quando são utilizadas referências como o SINAPI, a memória de cálculo continua sendo importante.
O SINAPI pode fornecer a composição e o custo unitário de determinado serviço, mas o orçamento ainda precisa determinar quanto desse serviço será executado.
Por exemplo, uma composição SINAPI pode apresentar o custo para executar 1 m² de determinado serviço. A memória de cálculo deverá demonstrar como o orçamento chegou aos 250 m² previstos para a obra.
Portanto:
Projeto → Memória de cálculo → Quantitativo → Composição de custos → Orçamento
Essa sequência ajuda a manter a relação entre os documentos técnicos e os valores apresentados na planilha.
Memória de cálculo em projetos diferentes
O método de cálculo pode variar de acordo com a disciplina do projeto.
Arquitetura
Pode envolver áreas de pisos, paredes, revestimentos, pintura, esquadrias, portas e outros elementos.
Estrutura
Pode envolver volumes de concreto, áreas de formas, pesos de armaduras e quantidades de elementos estruturais.
Instalações elétricas
Pode envolver quantidades de pontos, luminárias, tomadas, eletrodutos, cabos, quadros e outros componentes.
Instalações hidráulicas
Pode envolver comprimentos de tubulações, conexões, registros, aparelhos e demais componentes.
Em todos esses casos, o objetivo é o mesmo: demonstrar de maneira verificável como as quantidades utilizadas no orçamento foram obtidas.
Memória de cálculo e medição da obra
A memória de cálculo também pode facilitar o acompanhamento da execução da obra.
Quando o orçamento possui cálculos bem documentados, torna-se mais simples comparar o que foi previsto com o que efetivamente foi executado.
Isso pode ser particularmente útil em contratos nos quais os pagamentos são realizados de acordo com os quantitativos medidos dos serviços.
Uma memória de cálculo bem organizada permite localizar rapidamente o critério utilizado para chegar ao quantitativo originalmente orçado e avaliar eventuais alterações decorrentes de modificações no projeto ou das condições encontradas durante a execução.
Memória de cálculo e orçamento analítico
Em um orçamento analítico, a memória de cálculo contribui para aumentar a rastreabilidade dos valores apresentados.
O orçamento analítico apresenta os serviços, quantitativos, custos unitários e valores totais, enquanto a memória de cálculo pode fornecer o detalhamento necessário para entender a origem dos quantitativos.
Isso permite que uma pessoa responsável pela análise do orçamento consiga partir do valor apresentado na planilha e retornar até as dimensões e critérios utilizados no levantamento.
Erros comuns na memória de cálculo
Alguns problemas podem reduzir significativamente a utilidade de uma memória de cálculo:
- não informar quais elementos foram considerados;
- apresentar apenas o resultado, sem demonstrar a fórmula utilizada;
- misturar unidades de medida;
- não registrar descontos de portas, janelas ou outras aberturas quando aplicáveis;
- utilizar medidas diferentes das apresentadas no projeto;
- não atualizar os cálculos após alterações no projeto;
- não identificar a origem das informações utilizadas;
- arredondar valores excessivamente durante os cálculos;
- duplicar áreas ou quantidades de elementos;
- não deixar claros os critérios adotados.
Um erro aparentemente pequeno em uma dimensão pode se multiplicar quando o mesmo elemento é repetido dezenas ou centenas de vezes na obra.
Como elaborar uma boa memória de cálculo?
Uma memória de cálculo eficiente deve ser simples o suficiente para ser entendida por outra pessoa e detalhada o suficiente para permitir a conferência do resultado.
Um procedimento prático é:
- Identificar o serviço: indique qual item do orçamento está sendo calculado.
- Identificar a fonte: informe o projeto, desenho, memorial ou documento utilizado.
- Registrar as dimensões: apresente comprimento, largura, altura, quantidade ou outras medidas relevantes.
- Informar a fórmula: demonstre como as medidas foram combinadas.
- Registrar descontos e acréscimos: deixe explícitos os elementos descontados ou adicionados.
- Apresentar o resultado: informe o quantitativo final e sua unidade.
- Registrar observações: documente critérios especiais ou premissas utilizadas.
Memória de cálculo manual ou digital
A memória de cálculo pode ser elaborada manualmente, em planilhas eletrônicas ou utilizando sistemas específicos de orçamento e planejamento de obras.
Em projetos pequenos, uma planilha pode ser suficiente. Em obras maiores, entretanto, é importante manter uma estrutura organizada que permita relacionar cada cálculo ao serviço correspondente no orçamento.
Sistemas de orçamento também podem facilitar esse processo ao manter os quantitativos, serviços e cálculos associados ao orçamento, reduzindo a necessidade de repetir informações e facilitando futuras revisões.
Por que manter a memória de cálculo atualizada?
A memória de cálculo não deve ser tratada apenas como um documento elaborado no momento inicial do orçamento.
Quando o projeto sofre alterações, os quantitativos podem mudar. Se a memória de cálculo não for atualizada, pode surgir uma diferença entre o projeto vigente, os quantitativos e os valores apresentados na planilha orçamentária.
Por isso, é recomendável que as alterações relevantes sejam registradas e que os cálculos relacionados aos serviços afetados sejam revisados.
Conclusão
A memória de cálculo é uma ferramenta fundamental para dar transparência e confiabilidade aos quantitativos de um orçamento de obra. Ela registra as medidas, fórmulas, critérios e premissas utilizados para chegar aos valores apresentados na planilha.
Ao relacionar projetos, cálculos, quantitativos e serviços, a memória de cálculo facilita a conferência do orçamento, a identificação de erros, a atualização dos valores e o acompanhamento da execução da obra.
Quanto maior a complexidade do empreendimento, maior tende a ser a importância de manter os cálculos organizados, identificados e vinculados aos respectivos serviços do orçamento.
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