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Perdas de materiais
O que são perdas de materiais?
Perdas de materiais são as quantidades de materiais que deixam de ser incorporadas diretamente ao serviço executado ou que precisam ser adquiridas além da quantidade teoricamente necessária para realizar o trabalho.
Em uma obra, é comum que a quantidade efetivamente comprada seja maior que a quantidade geométrica ou teoricamente necessária. Isso pode acontecer por causa de cortes, quebras, sobras, ajustes, embalagens comerciais, danos durante o transporte ou armazenamento e características próprias do processo executivo.
Por exemplo, para revestir uma área de 100 m², pode ser necessário comprar mais de 100 m² de revestimento cerâmico. Parte do material poderá ser perdida durante os cortes e ajustes das peças.
Perda não é necessariamente desperdício
Os termos perda e desperdício são frequentemente utilizados como sinônimos, mas podem representar situações diferentes.
Uma perda pode ser inerente ao próprio processo construtivo. Um exemplo é o recorte de uma placa ou peça que não pode ser reaproveitada em outro local.
Já o desperdício normalmente está associado a um consumo ou descarte que poderia ser evitado, como materiais danificados por armazenamento inadequado, preparo incorreto ou manuseio deficiente.
Portanto, nem toda perda representa necessariamente uma falha de execução ou de gestão.
Por que ocorrem perdas de materiais?
As perdas podem ter diferentes causas, dependendo do material e do serviço.
Entre as causas mais comuns estão:
- cortes e ajustes das peças;
- quebras durante o transporte ou manuseio;
- sobras que não podem ser reaproveitadas;
- dimensões comerciais diferentes das dimensões necessárias;
- embalagens e unidades comerciais;
- danos provocados por armazenamento inadequado;
- erros de execução;
- alterações de projeto;
- preparo ou aplicação inadequados;
- características específicas do sistema construtivo.
Como calcular a perda de um material?
Uma forma simples de representar a perda é comparar a quantidade adquirida com a quantidade teoricamente necessária.
A quantidade adicional pode ser calculada por:
Perda = Quantidade adquirida − Quantidade teórica
O percentual de perda pode ser calculado por:
Perda (%) = (Quantidade adquirida − Quantidade teórica) ÷ Quantidade teórica × 100
Por exemplo, se uma obra necessita teoricamente de 100 m² de revestimento e são adquiridos 108 m²:
Perda = 108 − 100 = 8 m²
Perda (%) = 8 ÷ 100 × 100 = 8%
Nesse caso, foram considerados 8% de material adicional em relação à quantidade teórica.
Perdas e coeficiente de consumo
Nas composições de custos, as perdas podem estar incorporadas ao coeficiente de consumo do material.
Por exemplo, considere um serviço com quantitativo de 100 m² e um coeficiente de consumo de revestimento de 1,08 m² por m² de serviço.
O consumo total será:
100 m² × 1,08 m²/m² = 108 m²
Nesse exemplo, o coeficiente de 1,08 representa um consumo 8% superior à quantidade teórica de 1,00 m² por m² de serviço.
Isso significa que não se deve simplesmente acrescentar novamente 8% ao resultado se a perda já estiver incorporada ao coeficiente da composição. Fazer isso poderia contabilizar a mesma perda duas vezes.
Exemplo de perda no orçamento
Considere um serviço de assentamento de revestimento cerâmico com 200 m² de área.
Suponha que o consumo teórico seja de 1,00 m² de revestimento para cada 1,00 m² de serviço e que seja considerada uma perda de 7%.
O consumo previsto será:
200 × 1,07 = 214 m²
Se o preço do revestimento for R$ 50,00/m², o custo do material será:
214 × R$ 50,00 = R$ 10.700,00
Sem considerar a perda, seriam necessários 200 m², com custo de R$ 10.000,00.
Nesse exemplo, a consideração da perda acrescentou R$ 700,00 ao custo do material.
Perdas de materiais e quantitativos
É importante diferenciar o quantitativo do serviço da quantidade de material necessária para executá-lo.
Por exemplo, uma parede pode possuir 100 m² de área. Esse é o quantitativo do serviço de revestimento. Entretanto, a quantidade de revestimento a ser adquirida pode ser de 105 m² ou 110 m², dependendo das características do material, do projeto e do critério de perda adotado.
Assim:
Quantitativo do serviço ≠ quantidade de material adquirido
A relação entre os dois pode ser estabelecida pelo coeficiente de consumo da composição.
Perdas de materiais diferentes
Não existe um percentual único de perda que possa ser aplicado indistintamente a todos os materiais.
O nível de perda depende das características do material e do processo construtivo.
Por exemplo, um material fornecido em placas ou peças pode apresentar perdas relacionadas a cortes e encaixes. Já materiais fornecidos em unidades inteiras podem apresentar sobras decorrentes da necessidade de adquirir embalagens fechadas.
Materiais a granel também podem apresentar perdas relacionadas ao transporte, armazenamento, manuseio e aplicação.
Por isso, a adoção de um percentual genérico para todos os materiais pode produzir resultados inadequados.
Perdas e planejamento da compra
A consideração das perdas é importante não apenas para calcular o custo, mas também para planejar a compra dos materiais.
Se o orçamento indicar a necessidade teórica de 1.000 unidades de determinado material, mas a execução exigir uma quantidade adicional devido às perdas esperadas, a compra precisa considerar essa diferença.
Por outro lado, uma estimativa excessivamente elevada pode gerar compra desnecessária, aumento do estoque e maior possibilidade de sobras ao final da obra.
O objetivo é adotar um critério coerente com as características do serviço e com as condições reais de execução.
Como reduzir perdas de materiais?
Nem todas as perdas podem ser eliminadas, mas muitas podem ser reduzidas com planejamento e controle.
Algumas medidas importantes são:
- melhorar o levantamento dos quantitativos;
- planejar o corte e o aproveitamento das peças;
- armazenar corretamente os materiais;
- proteger os materiais contra chuva, umidade e impactos quando necessário;
- planejar as compras de acordo com o cronograma;
- evitar movimentações desnecessárias;
- treinar as equipes de execução;
- acompanhar o consumo real dos materiais.
O acompanhamento entre o consumo previsto e o consumo efetivamente realizado permite identificar perdas acima do esperado.
Perdas previstas x perdas reais
O percentual utilizado no orçamento representa uma premissa de consumo. Ele não significa que a obra necessariamente terá exatamente aquele percentual de perda.
Durante a execução, o consumo real pode ser menor ou maior que o previsto.
Por exemplo, se o orçamento considerou 5% de perda para determinado material, mas a obra consumiu 9% além da quantidade teórica, existe um desvio que merece ser analisado.
A diferença pode estar relacionada a erros de quantitativos, mudanças de projeto, condições de execução, produtividade, armazenamento ou outros fatores.
Essa comparação é importante para o acompanhamento do orçamento previsto x realizado.
Perdas de materiais no SINAPI
Em orçamentos baseados no SINAPI, os coeficientes das composições devem ser interpretados de acordo com a metodologia e os critérios da própria composição.
Não é adequado aplicar automaticamente um percentual adicional de perda sobre todos os insumos de uma composição sem verificar se o consumo considerado já contempla as características do serviço e os critérios adotados pela fonte.
O Caderno Técnico de Composições e a documentação metodológica da fonte podem ser utilizados para compreender os critérios relacionados aos coeficientes e ao consumo dos insumos.
Perdas de materiais e controle de custos
As perdas afetam diretamente o custo dos materiais e, consequentemente, o custo da obra.
Entretanto, analisar perdas apenas pelo percentual financeiro pode esconder a causa do problema. É importante verificar também o consumo físico.
Por exemplo, um aumento de custo de um material pode ser causado pelo aumento do preço unitário, enquanto outro pode resultar de um consumo maior que o previsto.
Por isso, o controle deve procurar responder duas perguntas:
- o preço pago pelo material foi maior ou menor que o previsto?
- a quantidade consumida foi maior ou menor que a prevista?
Essa separação permite identificar se o desvio foi causado por preço, consumo ou por ambos.
Resumo
Perdas de materiais são quantidades adicionais ou não aproveitadas que podem ocorrer durante a execução de um serviço. Elas podem resultar de cortes, quebras, sobras, dimensões comerciais, armazenamento, transporte e características do próprio processo construtivo.
No orçamento, as perdas podem estar refletidas nos coeficientes de consumo das composições. Por isso, é importante verificar o critério utilizado antes de acrescentar percentuais adicionais.
O controle das perdas também permite comparar o consumo previsto com o realizado e identificar oportunidades para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência da obra.