Transforme conhecimento em orçamento
Crie e gerencie seus orçamentos de obras de forma prática e profissional, com SINAPI, composições, BDI, cronograma e muito mais.
Quantitativos de Formas
Os quantitativos de formas representam o levantamento das superfícies necessárias para moldar elementos de concreto durante a execução de uma obra. Em geral, essa quantidade é expressa em metros quadrados (m²) e serve de base para estimar os custos dos serviços de montagem e desmontagem das formas, além dos recursos associados ao sistema adotado.
O cálculo não consiste simplesmente em multiplicar todas as dimensões de uma peça. É necessário identificar quais faces precisam de forma, quais superfícies ficam em contato com o concreto e como os elementos se encontram. A geometria da estrutura e o método construtivo influenciam diretamente o resultado.
O que deve ser considerado no levantamento?
Para calcular os quantitativos de formas, consulte o projeto estrutural e as especificações de execução. As principais informações são:
- Dimensões e geometria de vigas, pilares, lajes, sapatas e outros elementos;
- Posição e características das superfícies que serão moldadas;
- Encontros entre elementos, como vigas e pilares ou lajes e vigas;
- Existência de faces inclinadas, curvas ou com seções variáveis;
- Sistema de formas especificado ou previsto para a execução;
- Critério de quantificação definido para o orçamento ou contrato.
Também é importante distinguir a área de forma da quantidade de material necessário para montar o sistema. Uma área de contato de 100 m², por exemplo, não significa necessariamente a compra de 100 m² de chapas novas: painéis e outros componentes podem ser reutilizados, conforme o sistema e as condições de execução.
Como calcular formas para vigas
Para uma viga prismática retangular, as superfícies de forma geralmente incluem as duas laterais e o fundo, quando essas faces precisam ser moldadas e não estão apoiadas diretamente em outra superfície que dispense a forma.
Se a viga tiver largura \(b\), altura \(h\) e comprimento \(L\), uma expressão simplificada para essas três faces é:
Área de forma = (2 × altura + largura) × comprimento
Considere uma viga com 5,00 m de comprimento, 0,20 m de largura e 0,50 m de altura:
- Duas laterais: 2 × 0,50 × 5,00 = 5,00 m²;
- Fundo: 0,20 × 5,00 = 1,00 m²;
- Total das três faces: 6,00 m².
Esse cálculo pressupõe que as duas laterais e o fundo necessitam de forma e não inclui eventuais fechamentos nas extremidades. O tratamento dos encontros com pilares, paredes ou outros elementos deve ser coerente com o detalhamento do projeto e com o critério de medição utilizado.
Como calcular formas para pilares
Para um pilar de seção retangular constante, a área lateral é obtida pela soma dos perímetros das seções ao longo da altura. Para um pilar com largura \(b\), profundidade \(d\) e altura \(h\), considerando as quatro faces laterais:
Área lateral = 2 × (largura + profundidade) × altura
Considere um pilar com seção de 0,25 m × 0,30 m e altura de 3,00 m:
2 × (0,25 + 0,30) × 3,00 = 3,30 m²
O resultado representa as quatro faces laterais. As faces superior e inferior não foram incluídas, pois normalmente correspondem a encontros com outros elementos ou não demandam forma nas mesmas condições. A situação real deve ser verificada no projeto e no método executivo.
Para vários pilares com dimensões iguais, o total pode ser calculado multiplicando a área de um pilar pela quantidade de elementos, desde que todos tenham as mesmas condições de forma.
Como calcular formas para lajes
Em uma laje maciça convencional moldada no local, a superfície inferior normalmente exige forma. A área inicial pode ser calculada pela multiplicação do comprimento pela largura:
Área inferior = comprimento × largura
Para uma laje retangular com 6,00 m de comprimento e 4,00 m de largura:
6,00 × 4,00 = 24,00 m²
Esse valor representa a área geométrica da face inferior. O levantamento completo deve avaliar também bordas, rebaixos, aberturas e particularidades da estrutura, de acordo com o sistema construtivo e o critério adotado.
Em lajes nervuradas, pré-moldadas ou executadas com sistemas específicos, a configuração das superfícies de forma pode ser diferente. Por isso, não é adequado aplicar automaticamente a mesma fórmula de uma laje maciça convencional a todos os tipos de laje.
Como calcular formas para fundações
Em sapatas, blocos e vigas de fundação, a necessidade de formas depende da geometria do elemento e das condições de execução. Uma peça concretada contra o solo pode ter tratamento diferente de outra executada dentro de uma estrutura de formas montada previamente.
Para uma sapata prismática de faces verticais, por exemplo, as áreas laterais podem ser calculadas a partir do perímetro da base multiplicado pela altura. Em peças com faces inclinadas ou degraus, cada superfície precisa ser calculada conforme sua geometria.
O contato direto com o solo não deve ser tratado como uma regra universal para dispensar formas. A decisão depende do projeto, da especificação, da estabilidade das escavações, do método executivo e dos critérios aplicáveis ao serviço.
Área de forma e consumo de materiais
O quantitativo de formas pode ser usado de diferentes maneiras no orçamento, conforme a composição de custos e o sistema construtivo. É importante separar conceitos que, embora relacionados, não representam a mesma quantidade:
- Área de contato: superfície que precisa ser moldada e serve de referência para a medição do serviço quando esse é o critério aplicável.
- Material para montagem: quantidade de chapas, painéis, madeira, acessórios ou componentes necessária para montar o sistema.
- Reutilização: possibilidade de utilizar novamente os componentes em outras concretagens, conforme suas características e condições de uso.
- Escoramento: estrutura provisória que sustenta as formas e as cargas durante as etapas previstas de execução.
Uma composição de custos pode considerar coeficientes de consumo e premissas de reutilização específicos. Portanto, a área geométrica calculada não deve ser convertida diretamente em quantidade de madeira ou painéis sem verificar a metodologia e os recursos contemplados no serviço.
Erros comuns no quantitativo de formas
- Contabilizar faces que não precisam de forma: incluir superfícies apoiadas ou moldadas por outro elemento sem verificar as condições de execução.
- Deixar faces de fora: esquecer laterais, fundos ou fechamentos necessários à concretagem.
- Duplicar áreas nos encontros: contar a mesma superfície em elementos diferentes sem um critério consistente.
- Ignorar a geometria real: aplicar fórmulas de peças retangulares a elementos inclinados, curvos ou com seções variáveis.
- Confundir área de forma com compra de material: ignorar reutilização, perdas e características do sistema.
- Desconsiderar o critério de medição: adotar uma regra genérica sem consultar a especificação do serviço ou as condições contratuais.
- Utilizar projetos desatualizados: calcular áreas com dimensões que já foram alteradas.
Como conferir e aplicar os quantitativos no orçamento
Após o levantamento, confira as dimensões utilizadas, as superfícies consideradas e os encontros entre os elementos. Registre a memória de cálculo para permitir a reprodução dos resultados e vincule cada quantidade ao serviço correspondente na planilha orçamentária.
Quando for utilizada uma composição de referência, consulte sua documentação para verificar o escopo do serviço, os recursos incluídos e os critérios de quantificação. A área de forma, o escoramento e outros serviços associados podem ser tratados de maneiras distintas conforme a composição e as especificações aplicáveis.
O app Orçamentador permite organizar serviços por etapas e associar insumos e composições de custos, ajudando a consolidar os valores previstos. Com os quantitativos de formas conferidos, fica mais fácil elaborar um orçamento coerente com o sistema construtivo previsto.