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Quantitativos de Revestimentos
O levantamento de quantitativos de revestimentos consiste em determinar as áreas e, quando necessário, os volumes dos serviços de acabamento previstos para uma obra. Esse trabalho pode abranger revestimentos de paredes, pisos e tetos, desde as camadas de preparação da superfície até o acabamento final.
Embora muitos desses serviços sejam medidos em metros quadrados (m²), cada um possui particularidades. A área de cerâmica de uma parede, por exemplo, pode ser diferente da área de emboço executada nessa mesma superfície. Por isso, o levantamento deve considerar os projetos, as especificações dos materiais e os critérios de medição aplicáveis a cada serviço.
Quais revestimentos devem ser considerados no levantamento?
Antes de iniciar os cálculos, é importante identificar os sistemas de acabamento especificados para cada ambiente. Entre os serviços que podem integrar o levantamento estão:
- Chapisco: camada de preparação que favorece a aderência do revestimento de argamassa ao substrato, quando prevista no sistema construtivo.
- Emboço e reboco: camadas de argamassa utilizadas para regularizar ou dar acabamento às superfícies, conforme a solução especificada.
- Revestimento cerâmico: placas aplicadas em paredes ou pisos, com quantitativos definidos a partir das áreas revestidas e das características do assentamento.
- Porcelanato: revestimento de piso ou parede que exige atenção ao formato das peças, aos recortes e ao padrão de paginação.
- Contrapiso e regularização: serviços destinados à preparação da base para receber o revestimento final. Embora não sejam acabamentos aparentes, devem ser quantificados separadamente.
- Forros: sistemas de acabamento de tetos, como forros de gesso ou outros materiais, geralmente levantados pela área projetada, observadas as condições de execução.
Nem todos esses serviços estarão presentes em todas as obras. O levantamento deve refletir a solução construtiva efetivamente especificada, sem incluir camadas ou materiais que não façam parte do projeto.
Como calcular a área de revestimento de paredes
Em paredes retangulares, a área bruta pode ser calculada multiplicando-se o comprimento pela altura. Em seguida, devem ser avaliados os vãos e os demais elementos que interferem na superfície a revestir.
Fórmula básica:
Área da parede = comprimento × altura
Considere uma parede com 5,00 m de comprimento e 2,80 m de altura:
Área bruta = 5,00 × 2,80 = 14,00 m²
Se houver uma porta de 0,80 m × 2,10 m, a área do vão será:
Área da porta = 0,80 × 2,10 = 1,68 m²
Admitindo, para este exemplo, que o critério de medição permita descontar integralmente o vão, a área líquida será:
Área líquida = 14,00 − 1,68 = 12,32 m²
Esse resultado corresponde à superfície considerada no cálculo, não necessariamente à quantidade final de material que deverá ser comprada. A necessidade de peças ou argamassa também depende do consumo, dos recortes, das perdas e das condições de aplicação.
Como calcular revestimentos de pisos
Para um piso retangular, a área é obtida multiplicando-se o comprimento pela largura. Em ambientes com recortes, nichos, reentrâncias ou geometrias irregulares, o espaço pode ser dividido em figuras geométricas mais simples, calculadas separadamente.
Área do piso = comprimento × largura
Em um cômodo de 4,00 m × 3,50 m:
Área = 4,00 × 3,50 = 14,00 m²
Se a especificação determinar que toda a superfície receberá porcelanato, os 14,00 m² constituem a área geométrica de referência. Para estimar a compra, será necessário considerar o formato das peças, a paginação, os recortes e a margem de perda tecnicamente adequada à situação.
Também é importante não confundir a área do piso com a área de rodapés. Estes normalmente são levantados em metros lineares (m), descontando-se os trechos em que não haverá rodapé, conforme o projeto e o critério adotado.
Como calcular a quantidade de revestimento cerâmico
A quantidade de revestimento cerâmico pode ser estimada a partir da área a revestir e da área útil de cada peça. Entretanto, para uma compra mais precisa, o cálculo deve considerar a paginação, a largura das juntas, os recortes e a quantidade de peças fornecida por embalagem.
Considere uma superfície de 20 m² e uma embalagem que cubra 1,80 m², conforme a informação do fabricante. Sem considerar perdas, a quantidade teórica de embalagens é:
20 ÷ 1,80 = 11,11 embalagens
Como não é possível comprar uma fração de embalagem, seriam necessárias pelo menos 12 embalagens para cobrir a área, desde que a cobertura informada corresponda à condição de uso considerada. Isso ainda não representa uma margem adicional para recortes, quebras ou futuras substituições.
A perda não deve ser definida automaticamente por um percentual único para todas as obras. Ambientes com muitos recortes, peças de grandes dimensões, paginação diagonal ou desenhos que exigem continuidade podem demandar uma margem diferente daquela de um ambiente retangular simples. A paginação e as orientações do fabricante ajudam a fundamentar essa estimativa.
Como estimar o consumo de argamassa e rejunte
Depois de determinar a área de revestimento, é possível estimar o consumo dos materiais auxiliares com base nos dados técnicos do produto escolhido.
Para uma argamassa cujo consumo informado seja de 5 kg/m², por exemplo, uma área de 20 m² resultaria em um consumo teórico de:
20 × 5 = 100 kg
Se o produto for comercializado em sacos de 20 kg, isso corresponderia a cinco sacos, antes de qualquer ajuste decorrente das condições reais de aplicação. O valor de 5 kg/m² é apenas hipotético: o consumo efetivo varia conforme o produto, o formato da peça, o tipo de desempenadeira, a regularidade do substrato e o método de assentamento.
O rejunte também deve ser calculado de acordo com as características do revestimento e as recomendações do fabricante. O consumo depende, entre outros fatores, das dimensões e da espessura das peças, da largura e da profundidade das juntas e do material utilizado.
Por que cada camada deve ser quantificada separadamente?
Uma mesma parede pode receber chapisco, emboço, acabamento final e revestimento cerâmico em determinados trechos. Esses serviços não devem ser tratados automaticamente como uma única área ou como um único item de orçamento.
Considere uma parede de alvenaria com 30 m², dos quais 12 m² receberão revestimento cerâmico e os outros 18 m² receberão pintura sobre a preparação especificada. O orçamento poderá exigir quantitativos distintos para as camadas de argamassa, a cerâmica, o sistema de pintura e os respectivos materiais de aplicação.
É necessário verificar quais camadas são comuns a toda a parede e quais existem apenas em determinados trechos. Também se deve evitar contabilizar duas vezes a mesma superfície quando os serviços são divididos em itens diferentes.
A espessura das camadas pode ser relevante quando o serviço é medido em volume, como ocorre em determinados serviços de regularização ou aplicação de material a granel. Nesses casos, o cálculo deve considerar a geometria e a espessura especificada, além da unidade prevista na composição ou no critério de medição.
Erros comuns no levantamento de revestimentos
- Não conferir as dimensões: usar medidas aproximadas ou desatualizadas pode provocar diferenças significativas em áreas extensas.
- Descontar vãos sem verificar o critério: portas, janelas e outros elementos devem ser tratados conforme as regras aplicáveis ao serviço, que podem variar entre contratos e composições.
- Confundir área executada com quantidade de compra: a área geométrica e a quantidade de material necessária não são necessariamente iguais.
- Aplicar a mesma margem de perda a todos os materiais: cada sistema de revestimento apresenta condições próprias de corte, aplicação, armazenamento e reaproveitamento.
- Ignorar a paginação: o desenho de assentamento influencia o número de recortes e o aproveitamento das peças.
- Misturar serviços diferentes: chapisco, emboço, assentamento, rejuntamento e acabamento devem ser identificados conforme a composição e o escopo previstos.
- Deixar de registrar as premissas: sem dimensões, critérios e memória de cálculo, fica mais difícil conferir ou atualizar o orçamento.
Como organizar os quantitativos no orçamento de obra
Um levantamento confiável deve registrar o ambiente ou elemento, o tipo de revestimento, as dimensões utilizadas, os descontos aplicados, a unidade de medida e a origem das informações. Quando necessário, convém separar os quantitativos por pavimento, ambiente, material ou sistema construtivo.
Em orçamentos baseados no SINAPI, a escolha da composição deve corresponder ao serviço especificado, observando a descrição, a unidade, os insumos e os critérios técnicos aplicáveis. A unidade de uma composição nem sempre corresponde diretamente à quantidade de material a adquirir: os coeficientes de consumo da composição e as perdas previstas precisam ser interpretados conforme sua metodologia.
Manter a memória de cálculo de quantitativos documentada facilita a revisão dos valores, a conferência com os projetos e a atualização do orçamento quando houver alterações nas dimensões ou especificações.
Referências técnicas
- Caixa Econômica Federal — SINAPI: referências de composições, insumos e documentação técnica para orçamentação.
- ABNT NBR 13753: revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e utilização de argamassa colante, conforme o escopo da norma.
- ABNT NBR 13754: revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e argamassa colante.
- ABNT NBR 13755: revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e argamassa colante.
As normas devem ser consultadas em suas versões vigentes e aplicadas de acordo com o sistema de revestimento utilizado. Para serviços medidos por contrato ou por composições específicas, os critérios de medição correspondentes também devem ser verificados.
Faça seus orçamentos com mais controle
Com os quantitativos organizados e os serviços corretamente identificados, fica mais fácil acompanhar os custos e revisar as necessidades de materiais. O app Orçamentador permite elaborar orçamentos de obras com composições e insumos do SINAPI, organizar etapas e acompanhar os custos dos serviços em um só lugar.