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Composição de Custo Própria
O que é uma composição de custo própria?
A composição de custo própria é uma composição elaborada pelo responsável pelo orçamento para calcular o custo unitário de um serviço a partir dos recursos necessários à sua execução. Sua estrutura pode incluir materiais, mão de obra, equipamentos, ferramentas e composições auxiliares, conforme as características do serviço.
Ela é utilizada quando uma composição de referência não representa adequadamente o serviço previsto, quando não existe uma referência equivalente disponível ou quando as condições específicas da obra exigem uma estrutura de custos diferente.
Elaborar uma composição própria não significa definir valores arbitrariamente. O procedimento exige identificar os recursos necessários, estimar seus consumos e produtividades, obter preços compatíveis com a data e o local do orçamento e registrar as premissas adotadas.
Quando é necessário elaborar uma composição própria?
Uma composição própria pode ser adequada em situações como:
- Serviço sem referência equivalente: quando o projeto prevê uma atividade que não está contemplada de forma compatível nas bases de custos consultadas.
- Método executivo específico: quando a execução utiliza procedimentos, equipamentos ou recursos diferentes daqueles considerados em uma composição de referência.
- Condições particulares da obra: quando restrições de acesso, logística, espaço ou sequência de execução alteram os recursos necessários e a produtividade esperada.
- Serviço desenvolvido pela própria empresa: quando há um procedimento executivo definido que pode ser detalhado e mensurado de maneira consistente.
- Adaptação tecnicamente justificada: quando uma composição existente serve como ponto de partida, mas precisa ser ajustada para representar corretamente o serviço orçado.
Antes de desenvolver uma composição do zero, convém pesquisar as bases de referência disponíveis e verificar se já existe um serviço equivalente. Isso evita retrabalho e facilita a comparação do orçamento com referências reconhecidas.
Como elaborar uma composição de custo própria?
A elaboração deve partir da descrição técnica do serviço e do método previsto para executá-lo. Um procedimento organizado pode seguir estas etapas:
1. Definir e delimitar o serviço
Descreva exatamente o que será executado, incluindo unidade de medida, materiais considerados, método executivo e condições relevantes. É importante estabelecer o que está incluído e o que será orçado separadamente, para evitar omissões ou duplicidades.
2. Identificar os recursos necessários
Liste os materiais, as categorias profissionais, os equipamentos e as composições auxiliares utilizados na execução. A relação deve refletir o procedimento construtivo previsto, e não apenas reproduzir uma lista genérica de recursos.
3. Determinar os coeficientes de consumo
Estime a quantidade de cada recurso necessária para produzir uma unidade do serviço. Os coeficientes podem ser fundamentados em projetos, especificações, dados de execução, medições de produtividade, referências técnicas ou levantamentos devidamente justificados.
No caso da mão de obra e dos equipamentos, é importante considerar o tempo de utilização e a quantidade de serviço produzida. Para materiais, devem ser avaliadas as quantidades efetivamente incorporadas e as perdas tecnicamente justificadas, sem acrescentar percentuais indiscriminados.
4. Levantar os preços dos recursos
Obtenha preços compatíveis com o local e a data de referência do orçamento. Podem ser utilizadas bases oficiais, cotações de fornecedores, registros de compras ou outras fontes adequadas, conforme a natureza do recurso e as exigências aplicáveis à contratação.
Os preços devem ter origem identificável. Quando houver diferenças relevantes entre cotações, é recomendável registrar os critérios utilizados para selecionar o valor adotado.
5. Calcular o custo unitário
Multiplique o coeficiente de cada recurso pelo respectivo preço unitário e some as parcelas para obter o custo unitário da composição.
Custo unitário da composição = soma dos produtos entre os coeficientes e os preços unitários dos recursos
Quando houver composições auxiliares, o custo de cada uma deve ser multiplicado pelo coeficiente de utilização na composição principal. O resultado precisa manter coerência entre as unidades de medida e os critérios de cálculo.
6. Registrar as premissas e revisar o resultado
Documente a descrição do serviço, os recursos, os coeficientes, as fontes de preços, a data de referência e as hipóteses adotadas. Revise a composição para identificar recursos omitidos, unidades incompatíveis, produtividade irrealista ou custos contabilizados mais de uma vez.
Exemplo simplificado de composição própria
Considere um serviço hipotético cuja composição unitária utiliza os seguintes recursos:
| Recurso | Coeficiente por unidade | Preço unitário | Custo parcial |
|---|---|---|---|
| Material A | 2,00 kg | R$ 4,00/kg | R$ 8,00 |
| Material B | 0,50 un. | R$ 10,00/un. | R$ 5,00 |
| Mão de obra | 0,20 h | R$ 30,00/h | R$ 6,00 |
| Total | R$ 19,00 |
Nesse exemplo, o custo unitário calculado é de R$ 19,00 por unidade de serviço. Os valores são ilustrativos e não representam preços de mercado nem uma composição aplicável a um serviço específico.
O exemplo também não inclui outros recursos que poderiam ser necessários, como equipamentos, transporte ou composições auxiliares. Em uma aplicação real, a lista deve refletir integralmente o método executivo adotado.
Composição própria e composição do SINAPI: qual é a diferença?
O SINAPI oferece referências de custos e composições elaboradas segundo uma metodologia documentada. Uma composição própria, por sua vez, é desenvolvida para atender às necessidades de um orçamento específico e pode utilizar referências oficiais como base para seus componentes.
Quando houver uma composição do SINAPI compatível com o serviço, ela pode servir como referência para a elaboração e a conferência do orçamento. Caso seja necessário adotar uma composição própria, a diferença em relação à referência deve ser compreendida e justificada, principalmente em orçamentos sujeitos a regras de contratação pública.
Em obras públicas, a adoção de composições próprias deve observar as normas aplicáveis ao orçamento de referência e as exigências de fundamentação dos custos. A existência de uma composição própria não dispensa a demonstração da adequação dos preços e dos coeficientes utilizados.
Erros que comprometem uma composição de custo própria
- Coeficientes sem fundamentação: utilizar quantidades ou produtividades sem base técnica verificável.
- Preços sem rastreabilidade: registrar valores sem identificar a fonte e a data de referência.
- Descrição imprecisa: não delimitar o serviço e deixar dúvidas sobre o que está incluído.
- Omissão de recursos: esquecer materiais, mão de obra, equipamentos ou operações necessárias à execução.
- Duplicidade de custos: incluir um recurso diretamente e também por meio de uma composição auxiliar que já o contempla.
- Perdas sem justificativa: adicionar percentuais genéricos sem relação com as características do serviço.
- Falta de atualização: utilizar preços antigos sem verificar se ainda representam as condições do orçamento.
Como manter suas composições organizadas?
Uma composição própria bem estruturada deve permitir que outro profissional compreenda como o custo foi calculado e consiga revisar seus componentes. Manter descrições claras, unidades padronizadas, fontes de preços e critérios de produtividade facilita a atualização dos valores e a reutilização da composição em orçamentos compatíveis.
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