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Taxa de risco
O que é a taxa de risco?
A taxa de risco é um percentual utilizado para representar financeiramente determinados riscos e incertezas associados à execução de uma obra.
Durante a elaboração de um orçamento, algumas condições podem ser conhecidas e quantificadas, enquanto outras apresentam algum grau de incerteza. A taxa de risco permite considerar, dentro da metodologia adotada, possíveis impactos decorrentes dessas incertezas.
Ela pode representar uma das parcelas utilizadas na composição do BDI.
Para que serve a taxa de risco?
A principal finalidade da taxa de risco é considerar financeiramente situações que podem afetar o custo ou a execução do empreendimento e que não foram totalmente incorporadas aos custos diretos.
Entre os fatores que podem ser analisados estão:
- complexidade da obra;
- condições de execução;
- incertezas relacionadas à produtividade;
- interferências e condições não totalmente conhecidas;
- prazo e duração do empreendimento;
- características do local de execução;
- outros eventos identificados na análise de riscos.
A taxa não deve ser utilizada simplesmente como um acréscimo genérico ao orçamento. Seu dimensionamento deve estar relacionado aos riscos efetivamente existentes no empreendimento.
Como calcular a taxa de risco?
Quando a metodologia utiliza uma taxa percentual sobre determinada base, o cálculo pode ser representado de forma simplificada por:
Valor do risco = Base de cálculo × Taxa de risco
Por exemplo, considere uma base de cálculo de R$ 800.000,00 e, apenas para fins didáticos, uma taxa de risco de 2%.
Valor do risco = R$ 800.000,00 × 2%
Valor do risco = R$ 16.000,00
Nesse exemplo, os R$ 16.000,00 representam a parcela financeira associada à taxa de risco. O percentual de 2% é meramente ilustrativo e não constitui uma taxa padrão para obras.
Como definir a taxa de risco?
Não existe uma taxa de risco universal que possa ser aplicada a qualquer obra.
A definição deve considerar as características e os riscos do empreendimento, além da metodologia de orçamento adotada.
Uma análise pode considerar, por exemplo:
- quais eventos podem ocorrer;
- qual a probabilidade de cada evento;
- qual seria seu impacto financeiro;
- quais riscos já estão contemplados nos custos diretos;
- quais riscos possuem tratamento contratual específico;
- quais riscos devem ser considerados na formação do preço.
Quanto melhor definida for essa análise, menor é a tendência de utilizar um percentual de risco de maneira arbitrária.
Taxa de risco e custos diretos
A taxa de risco não deve substituir custos que podem ser calculados diretamente.
Se determinada condição da obra já é conhecida e pode ser quantificada, o mais adequado é incorporá-la ao orçamento como custo direto ou como outro item específico, conforme a estrutura adotada.
Por exemplo, se o projeto exige uma quantidade conhecida de material adicional, essa quantidade deve ser considerada no quantitativo de materiais. Não é adequado utilizar a taxa de risco para compensar uma quantidade que já pode ser determinada tecnicamente.
A taxa de risco deve estar relacionada às incertezas que permanecem após a elaboração do orçamento.
Taxa de risco e BDI
Quando utilizada como componente do BDI, a taxa de risco participa da formação do preço juntamente com outras parcelas previstas na metodologia.
Entre os componentes que podem aparecer em uma estrutura de BDI estão:
- Administração Central (AC);
- Custo Financeiro (CF);
- riscos;
- Garantia;
- Seguros;
- tributos;
- lucro.
A forma de combinação dessas parcelas depende da fórmula de BDI utilizada. Portanto, não se deve simplesmente somar todos os percentuais sem verificar a metodologia correspondente.
Taxa de risco e contingência
A taxa de risco pode estar relacionada ao conceito de contingência, mas os termos não devem ser tratados automaticamente como sinônimos.
Risco representa a possibilidade de ocorrência de um evento e seus possíveis efeitos. Contingência pode representar uma provisão destinada a lidar financeiramente com determinados impactos de riscos identificados.
A utilização desses conceitos e sua forma de quantificação devem seguir a metodologia adotada no orçamento e, quando aplicável, as condições estabelecidas no contrato.
Taxa de risco em obras públicas
Em obras públicas, a taxa de risco deve ser analisada de acordo com a metodologia utilizada pelo órgão, com as características do contrato e, quando existente, com a matriz de riscos.
A matriz de riscos é particularmente importante porque pode estabelecer quais eventos são atribuídos a cada parte do contrato e como seus efeitos devem ser tratados.
Assim, a simples inclusão de uma taxa de risco no BDI não significa que todos os eventos futuros estejam automaticamente cobertos ou que qualquer aumento de custo possa ser repassado ao contratante.
Taxa de risco e preço de venda
Quando a taxa de risco integra o BDI, ela contribui para a formação do preço de venda da obra.
De forma simplificada:
Custo direto → componentes do BDI → preço de venda
A taxa de risco representa apenas um dos elementos dessa formação e deve ser analisada em conjunto com os demais componentes.
Cuidados ao utilizar uma taxa de risco
Alguns cuidados são importantes:
- não adotar um percentual sem analisar os riscos do empreendimento;
- não utilizar a taxa para substituir quantitativos ou custos que podem ser calculados;
- verificar a base sobre a qual a taxa será aplicada;
- identificar os riscos que já estão contemplados em outros componentes do orçamento;
- evitar dupla consideração do mesmo risco;
- verificar a metodologia de BDI utilizada;
- registrar os critérios utilizados para definir a taxa.
Taxa de risco no Orçamentador
No Orçamentador, a taxa de risco pode ser considerada entre os componentes utilizados para a formação do BDI de um orçamento.
Ao definir essa taxa, é importante manter registrado o critério utilizado e verificar se os riscos considerados não estão sendo incorporados novamente em custos diretos ou em outros componentes do BDI.
Essa organização contribui para a transparência e para a rastreabilidade do orçamento.
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Conclusão
A taxa de risco é um percentual utilizado para representar financeiramente determinados riscos e incertezas associados à execução de uma obra.
Seu valor não deve ser escolhido de forma arbitrária. É necessário considerar as características do empreendimento, os riscos identificados, a metodologia de orçamento e o tratamento dado a esses riscos no contrato.
Quando utilizada como componente do BDI, a taxa de risco contribui para a formação do preço de venda, mas não substitui um orçamento detalhado nem deve ser utilizada para compensar custos que podem ser conhecidos e quantificados.