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BDI

BDI para Diferentes Tipos de Obras

Orçamentador · 23/10/2026 · 6 min de leitura
Em resumo
O percentual de BDI pode variar conforme o tipo de obra, a estrutura de custos, as responsabilidades assumidas pela empresa e as condições de execução do contrato. Construções de edifícios, obras rodoviárias, redes de saneamento e instalações elétricas, por exemplo, podem apresentar composições indiretas distintas. Em obras públicas, o Acórdão 2.622/2013 do Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu parâmetros referenciais por tipologia, que devem ser interpretados considerando as particularidades de cada empreendimento.

Por que o BDI varia conforme o tipo de obra?

O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é aplicado aos custos diretos para formar o preço de venda de uma obra. Sua composição considera despesas indiretas, riscos, seguros, garantias, despesas financeiras, remuneração da empresa e tributos incidentes sobre a receita, conforme as características do contrato e o regime tributário aplicável.

Esses componentes não têm necessariamente o mesmo peso em todos os empreendimentos. Uma obra de edificação, uma implantação de rede de abastecimento de água e uma intervenção rodoviária podem exigir estruturas administrativas, condições de mobilização, controles operacionais e níveis de exposição a riscos diferentes.

Por esse motivo, não existe um único percentual de BDI que possa ser considerado adequado para qualquer obra. A taxa deve ser definida a partir das condições concretas do empreendimento e dos critérios técnicos aplicáveis ao orçamento.

Quais fatores influenciam o BDI?

A definição do BDI deve considerar, entre outros, os seguintes aspectos:

  • Tipo e características do empreendimento: a natureza dos serviços e a organização necessária para executá-los influenciam a estrutura de despesas indiretas.
  • Prazo e condições de execução: duração contratual, cronograma de desembolso e intervalo entre pagamentos podem afetar a necessidade de capital de giro e as despesas financeiras.
  • Localização e logística: distância dos centros de fornecimento, acesso ao canteiro e condições de transporte podem alterar os custos da operação. Quando forem custos diretamente mensuráveis, porém, devem ser tratados na planilha de custos diretos, e não automaticamente incorporados ao BDI.
  • Riscos e responsabilidades contratuais: as obrigações assumidas, as condições de execução e a exposição a eventos incertos devem ser avaliadas de maneira fundamentada.
  • Estrutura administrativa da empresa: a parcela de administração central depende da estrutura empresarial e dos critérios de apropriação adotados.
  • Tributação: os tributos incidentes sobre a receita dependem do enquadramento tributário, da legislação aplicável e das características da operação.

Esses fatores não justificam, isoladamente, a adoção de qualquer percentual. É necessário demonstrar como as condições do contrato afetam os componentes do BDI, evitando estimativas arbitrárias ou a inclusão de despesas já contempladas nos custos diretos.

Parâmetros referenciais do TCU por tipo de obra

O Acórdão 2.622/2013 do Plenário do Tribunal de Contas da União apresentou faixas referenciais de BDI para diferentes tipologias de obras públicas. A tabela a seguir reproduz os valores indicados na decisão para as categorias contempladas:

Tipo de obra ou fornecimento 1º quartil Referência média 3º quartil
Construção de edifícios 20,34% 22,12% 25,00%
Construção de rodovias e ferrovias 19,60% 20,97% 24,23%
Redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas 20,76% 24,18% 26,44%
Construção e manutenção de estações e redes de distribuição de energia elétrica 24,00% 25,84% 27,86%
Obras portuárias, marítimas e fluviais 22,80% 27,48% 30,95%
Mero fornecimento de materiais e equipamentos 11,10% 14,02% 16,80%

Atenção: esses percentuais são referências históricas estabelecidas pelo TCU para análise de orçamentos de obras públicas, e não taxas obrigatórias para todo contrato ou parâmetros universais para obras privadas. Antes de utilizá-los, é necessário verificar a aplicabilidade da decisão, as regras do órgão contratante, as normas específicas do empreendimento e eventuais orientações posteriores.

O próprio TCU esclarece que os parâmetros não são fixos: desvios em relação às faixas referenciais exigem análise dos componentes do BDI e das particularidades do caso concreto. Estar dentro da faixa, por sua vez, não comprova automaticamente que a taxa esteja corretamente calculada.

Como escolher o BDI para cada empreendimento?

Uma definição tecnicamente consistente pode seguir estas etapas:

  1. Classificar a obra: identificar a tipologia predominante e verificar se existe parâmetro referencial aplicável ao empreendimento.
  2. Levantar os custos diretos: organizar os serviços, os materiais, os equipamentos e os demais custos identificáveis na planilha orçamentária.
  3. Definir os componentes indiretos: avaliar administração central, seguros, garantias, riscos, despesas financeiras, remuneração e tributos, conforme a metodologia adotada.
  4. Conferir a tributação: utilizar premissas compatíveis com o regime tributário e com a legislação pertinente, sem aplicar alíquotas de maneira automática.
  5. Comparar com as referências: verificar os parâmetros pertinentes e investigar eventuais diferenças relevantes, documentando as justificativas.
  6. Registrar as premissas: manter memória de cálculo, critérios adotados e documentação que permita revisar o orçamento.

Em obras públicas, a análise deve observar também o edital, as normas do órgão responsável e a legislação aplicável. Em obras privadas, a composição deve refletir as condições comerciais e contratuais reais, sem presumir que os referenciais destinados à análise de obras públicas sejam obrigatórios para qualquer orçamento.

É correto usar um BDI maior em obras mais complexas?

Não automaticamente. A complexidade pode influenciar riscos, responsabilidades e custos indiretos, mas a escolha de uma taxa maior precisa ser sustentada por elementos concretos. A simples descrição da obra como complexa, urgente ou de difícil execução não substitui a demonstração dos custos e das premissas adotadas.

Também é importante evitar a duplicidade de custos. Despesas como administração local, instalação do canteiro e mobilização e desmobilização, quando identificáveis e mensuráveis, devem ser avaliadas na planilha de custos diretos conforme as orientações do TCU, em vez de serem incluídas indiscriminadamente no BDI.

BDI da obra e BDI para fornecimento de materiais

Quando o orçamento reúne execução de serviços e fornecimento de materiais ou equipamentos, pode ser necessário avaliar tratamentos distintos para parcelas específicas, desde que atendidos os critérios aplicáveis. O BDI de mero fornecimento não deve ser adotado de forma generalizada para todos os materiais comprados pela contratada.

Em obras públicas federais, o Decreto nº 7.983/2013 e a jurisprudência do TCU são referências importantes para examinar situações em que se admite BDI diferenciado. A decisão deve considerar a natureza do fornecimento, sua relevância no orçamento e os requisitos previstos nas regras pertinentes.

Erros comuns na definição do BDI

  • Adotar o mesmo percentual para todos os tipos de obras sem analisar a composição dos custos.
  • Tratar os valores referenciais do TCU como limites universais e imutáveis.
  • Escolher uma taxa apenas porque ela é utilizada por outras empresas ou aparece em outro orçamento.
  • Incluir no BDI despesas que já estão contabilizadas nos custos diretos.
  • Utilizar premissas tributárias incompatíveis com o regime da empresa ou com o período do orçamento.
  • Deixar de registrar a memória de cálculo e as justificativas para os percentuais adotados.

Como o Orçamentador pode ajudar na elaboração do orçamento?

Definir o BDI é apenas uma parte do trabalho. A qualidade do orçamento também depende da identificação dos serviços, dos quantitativos, dos custos unitários e da organização das etapas da obra. Com o app Orçamentador, você pode elaborar e organizar orçamentos de obras, trabalhar com composições e insumos e aplicar o BDI ao orçamento, facilitando a conferência dos custos e a formação do preço de venda.

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